Há quem acredite em amor à primeira vista. Há quem diga que amor louco dura pouco. Há quem diga. E com razão. Há quem viva. E com emoção.
Numa viagem clandestina, num rompante... Fugi para o Rio. Aos onze anos. Foi quando eu conheci o mar. A areia, as ondas. A imensidão. A água e o céu. O sal e o sabor. O sol. A brisa em meu rosto. E minha alma se inflou de vida. Desabrochou o meu coração.
Era a primeira vez que o via. O mar. E sabia que o amaria para sempre.
Sem explicação, sem hesitação. Sem questionamentos ou racionalização. Simplesmente sentia. Sabia. O mistério, a magia. E a verdade. De um amor tão profundo já em seu tenro início. Sem paradoxos. Mas um milagre. Imediata identificação. O reconhecimento de mim mesmo num vasto e voraz fora de mim. Eu o começo, ele sem fim. Infinita completude.
Isto há tantos anos, e continuo amando... Vivo, voraz e encantado como na primeira vez.
E assim é agora. O mar em seus olhos. A imensidão em sua alma.
E desde o seu olhar intuo o caminho. Em seu mais suave toque, o carinho. E certeza. De onde crio o caminhar. Os pés descalços na areia. O sol no rosto. A brisa na pele. A vida no coração. As mãos dadas pela vida. E então... Eis meu derradeiro destino.
Sem desatino e em paz. Nos braços da tão amada (desde a primeira vista), ainda hei de belamente morrer. De tanto viver. De tanto a amar. Tal qual o mar.